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“Não sei se vou, ou se fico”

  • Foto do escritor: Gustavo Figueirêdo, psicólogo clínico
    Gustavo Figueirêdo, psicólogo clínico
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

O título deste artigo foi extraído da letra da música – Mente e Corpo – da Banda Cheiro de Amor. Infelizmente, o que irei discorrer a seguir, não exala nada de amor; assim como, intitulado, o nome do conjunto musical. O que será explanado é da ordem, socioeconômica, do Brasil. Como essa questão vem afetando, a saúde mental, dos brasileiros?


A princípio, de antemão, gostaria de abrir um parêntese e, esquecermos aqui, questões partidárias. Até porque, esse contexto (socioeconômico), já vem afetando a população brasileira; há décadas. Sendo que numa escalada crescente. Atingindo, o ápice, no momento atual. Neste sentido, quem de nós, nos últimos tempos, não estamos vivenciando, a perda, do poder aquisitivo? Sentindo no bolso que, o salário, cada vez mais achatado. Os preços dos produtos, por questões inflacionárias, aumentando constantemente. Por incrível que pareça, isso vem sendo assunto incomum, trazido semanalmente pelos clientes, no consultório. Ou seja, algo que vem afetando, o lado emocional, do cidadão brasileiro.


Não bastasse, quem não vem sendo testemunha, ao se deparar nas prateleiras dos supermercados, com os preços elevados e os produtos com as suas embalagens diminuídas? Não obstante, sentar à mesa dos restaurantes em família, também, vem sendo testemunhados os aumentos dos preços das refeições. Pasmem! Somado a isto, as diminuições das guarnições de comidas. Fora, tantos outros aumentos, tipo: combustível, energia, ... 


Segundo o médico psiquiatra húngaro-canadense, Gabor Maté, no seu livro – O mito do normal – fala que: “..., o estresse é uma função de sobrevivência obrigatória para qualquer ser vivo. Quando ativado, nosso aparato de estresse nos possibilita imediatamente enfrentar ou fugir de ameaças à nossa existência ou à existência e ao bem-estar daqueles que amamos.”


Recentemente, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, proferiu uma coletiva de imprensa, retratando sobre a Reunião da Cúpula do G7, quando disse que: “Eu gosto dos imigrantes. Porque o Brasil foi descoberto por imigrantes ... Os imigrantes, normalmente, quando eles vão para um país, eles vão para fazer um trabalho pesado. E, muitas vezes, um trabalho mais pesado do que, o povo, dos países não querem mais fazer.”


É verdade, caro companheiro Lula, eu conheço muitos brasileiros que estão morando no exterior; com excelente desempenho universitário no Brasil, que hoje trabalham lá fora, como: faxineira, garçonete, cozinheiro, babá, ... Nada contra as devidas profissões. Mas aqui, não mais estão, por falta de oportunidades. Fora que, lá fora, as vivências sócio-educacional-cidadã, segundos relatos, são respeitadas. Haja vista, pessoa conhecida esquecer, máquina fotográfica, em banco de praça pública; ao voltar, horas depois, encontrar no mesmo lugar; por exemplo. 

    

Bem, caro companheiro Lula! Não sei se a sua fala soou como, a verdade do normal; ou como, o mito do normal. Porque o que a realidade contemporânea nos sinaliza; nas praças da capital pernambucana, por exemplo; existem venezuelanos morando. E me parece que gosta mais de emigrantes do que imigrantes. Porque, nos últimos tempos, a evasão de brasileiros; em busca de segurança existencial (financeira, social, ...), assim como bem pontuou Dr. Maté, em prol da sobrevivência, para outros países; vem aumentando exponencialmente.


Ora! O Brasil vem numa escalada de supostos escândalos de corrupções, através dos crimes bem organizados, tipo: Mensalão, Lava Jato, Banco Master, ...; somadas, às dificuldades, para viver com dignidade, para não adoecer; que não tem como a evasão não ser alta. O problema é que, para quem opta se mudar para outros países, sabe que não é tão simples assim. Desde da burocracia documental a família, cultura, ...


Por fim, caro leitor, eis a questão! Na caminhada, ou melodia, do dia a dia; não sabendo se vai, ou se fica. Caso pense em ficar. O que fazer para melhor, aspirar à vida, no Brasil?


A pandemia do rompimento
 
 
 

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