A (Inter)secção
- Gustavo Figueirêdo, psicólogo clínico
- há 7 minutos
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Acredito que você já tenha ouvido falar nesta palavra – Intersecção – que é quando duas linhas se encontram, ou se cruzam, por exemplo. Muito comum estudada na geometria ou matemática. Ora! O que isso tem a ver com psicologia, ou com a nossa saúde mental? Será que irei demonstrar aqui, procedimentos psicoterapêuticos, com as retas ou os números? (risos) Não, não! Apenas tentarei discorrer a nossa relação sobre o meio que vivemos e o nosso ser interior. A relação entre esses contextos, o meio e o nosso ser interior, intersectam através de uma fronteira, ou passagem. de um para o outro. E como vem sendo esta relação?
É sabido que a violência urbana, nas grandes cidades, vem nos proporcionando cada vez mais, um grau de insegurança muito grande. Por mais investimentos e dedicações que os agentes públicos venham proporcionar, parece-me que o crescimento da insegurança é da ordem exponencial. Se olharmos as causas, entendemos que são multifatoriais. Desde do desemprego ao tráfico de drogas. Por trás do – ao – interligando o desemprego ao tráfico de drogas existem tantas outras situações causais. As faltas de políticas públicas são mais umas delas. Este contexto retifica a forma e os costumes de nos relacionarmos no mundo.
Certo dia, escutava de uma pessoa, onde a escola do filho fica, apenas, um quarteirão de onde mora; onde as idas e vindas, com o filho, sempre a pé, da instituição de ensino. Não obstante, esse pai relatava que, todos os dias, no banho, organizando-se para levar o filho à escola, tira a aliança do dedo, para não ser assaltado. Considerando que, entorno de onde mora, os roubos de alianças são frequentes.
As inseguranças, também, são assistidas aos clássicos de futebol. Como nas proximidades e nas arquibancadas dos estádios, muitas vezes, são escaladas com muitas, mas muitas violências. Uma situação que deveria ser para lazer, geralmente proporcionada com muita violência. Confesso que admiro pais que levam seus entes pequenos aos clássicos. A sensação que me transmitem, inconscientemente, que não têm o que temer à perda dos filhos. Repito! Inconscientemente. Claro que se iluminarem à consciência, não será nada disso que, os pais, almejam para os seus filhos.
Segunda a psicóloga e professora, Telma Fulgêncio Colares da Cunha Melo, explana que: “O movimento de aquisição de autonomia fica cada dia mais lento. Em nome da segurança ameaçada pela violência social (drogas e violência física), a criança vive atualmente uma perda significativa da sua liberdade. Os pais, muito receosos e amedrontados, desdobram-se em vigilância extrema e excessos de cuidados para garantir a segurança dos filhos. Com isso, dificultam e retardam o ingresso natural da criança no mundo da vida. Esse movimento adia o desenvolvimento da autonomia, da confiança e do reconhecimento das suas competências e dos seus limites.”
É fato que muitos pais estão no caminho, comungando com que a psicóloga Telma Fulgêncio aponta; ou seja, por conta da violência, não ajudando aos filhos adquirirem as suas próprias autonomias; em nome, também, de uma superproteção; estimulada pelo medo. Mas, não poderia deixar de sinalizar que, também, existem muitos procriadores; e não cuidadores que, muitas vezes, não estão nem aí para dinâmica diária dos filhos. Retratando, a isto, a uma vida frenética. Geralmente, depositada ao trabalho.
No entanto, é comum, jovens adolescentes e pré-adolescentes, que na hora do almoço, vão em grupos, sem auxílio de um adulto, almoçarem próximas das escolas. Infelizmente; o índice de perversos que, circulam nesses horários, próximas às instituições de ensinos, para tentar importunar essa juventude; é muito alto. Há uns meses atrás, na zona norte, da capital pernambucana, segundo a mídia, foi pego um casal que vinham utilizando dessa prática. Detalhe, quem fazia a cobertura do psicopata era uma senhora.
Com isso, é bem compreensivo que a relação do nosso ser interior com o meio, muitas vezes, é de causar transtornos emocionais. Levando, as psicohigienizações, de muitos; às minguas. Haja vista, o motivo do aumento das crises de pânico. Proporcionando, dependendo do grau, uma ruptura ou secção, na relação do nosso ser com o meio. Não obstante, é sabido que não devemos nos entregar das possibilidades de ir e vir, ou de aspirar à vida, diante das nossas necessidades. Estarmos sempre vigilantes, na fronteira dessa relação, entre o nosso ser e o meio.
Por fim, caro leitor, eis a questão! Como percebes, no teu dia a dia, a tua relação fronteiriça com o teu ser e o meio que estás inserido? Intersectada? Ou ...





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