A vivência do fenômeno
- Gustavo Figueirêdo, psicólogo clínico
- há 32 minutos
- 2 min de leitura
Não sei se você já teve a oportunidade de partilhar com alguém, alguma experiência, da sua vida, de preferência negativa; tipo: término de um relacionamento; a perda de um emprego; a perda de uma disciplina, seja no período escolar, ou universitário; assim como tantas outras situações. E esse alguém, disse: “Ah! Sei muito bem o que é isso que você está passando. Porque já passei por isso.” Pois bem! Para a linha filosófica fenomenológica-existencial, toda experiência de vida, ela é única e singular. Ou seja, as nomenclaturas podem até ser semelhantes; perda de uma matéria escolar, por exemplo. Mas, as vivências sentimentais, pelas experiências vividas, são únicas e singulares.
Segundo, o psicólogo José Paulo Giovanetti, no livro – Fenomenologia e Psicologia Clínica – “..., a fenomenologia se apresenta como uma atitude metódica, como um método de investigação radical, a saber, como busca de uma compreensão do fenômeno antes de toda construção sistemática e qualquer interpretação. Enfim, é a busca da essência do ser enquanto se manifesta.” Ou seja, só sabemos, de fato, o contexto de determinada realidade, quando a mesma é vivida na sua essência, ou integralidade. A isso denominamos: A vivência do fenômeno.
Certo dia, participava da celebração dominical, da missa, quando o sacerdote, na homilia, dizia: “Se eu fosse casado, todos os dias, antes de dormir, eu chegaria para a minha esposa e diria – Perdoe-me, eu te amo!; Perdoe-me, eu te amo!” Atrelando a isto, segundo ele, às possíveis brigas, ou discussões, do dia-a-dia. Ora! Com todo respeito, mas todo respeito mesmo; até porque tenho muito apreço pelas celebrações presididas por este padre; permitam-me utilizar da prerrogativa parresiástica. O parresiasta “é aquele que assume o risco de dizer a verdade nua e crua ...”
No entanto, ao escutar isso, a minha mente acionou uma avalanche de pensamentos simultâneos. Onde, um deles, foi: Que mentira da p@rr&! Na hora, pedi até perdão à Deus, pelo pensamento. Nesse sentido, olhando pelo prisma, por ter na sua dinâmica eclesiástica, o ministério da misericórdia ou confessor, é até compreensivo ter escutado isso dele. Por, no dia-a-dia sacerdotal, certamente, escutar nas confissões, tantas brigas matrimoniais. Mas, para quem é casado, seja o marido ou a esposa, sabemos que jamais falaremos, diariamente, isso antes de dormir. Repito, diariamente!
Por isso que – a vivência do fenômeno – é experimentada na sua essência. Ora! Os sacerdotes, não conhecem a essência matrimonial, por não serem casados. A única época que ouvi falar de padres estarem casados foi, quando criança, nos momentos lúdicos com os meus amigos, que dizíamos: “Quem chegar por último é a mulher do padre!” (risos) Assim como, os cônjuges, não conhecem a essência sacerdotal, por não serem sacerdotes.
Por conseguinte, visualizo aqui, duas questões importantes, diante das vivências fenomenais – a primeira, de exercitarmos, quando procurados para partilha, uma escuta sem comparação, tipo: “Sei bem o que é isto que estas passando, por já ter passado.”; e a segunda – de lapidarmos as nossas proferências, diante das experiências fenomenais, para o que esteja sendo dito, não venha ficar distorcido.
Por fim, caro leitor, eis a questão! Como você vem convivendo com as suas vivências fenomenais? Mediante as essências das mesmas? Ou ...





Comentários