top of page

O setembro que deveria ser amarelo; mas, ...

Foto do escritor: Gustavo Figueirêdo, psicólogo clínico
Gustavo Figueirêdo, psicólogo clínico
há 25 minutos
3 min de leitura

Setembro é o mês onde se realiza a Campanha de Conscientização de Prevenção ao Suicídio – Setembro Amarelo. Este ano de dois mil e vinte seis trazendo como tema oficial: “Escutar é estar presente.” Infelizmente, os índices, só aumentam. Principalmente na juventude. Dados que vêm ascendendo uma grande preocupação aos profissionais que trabalham no ramo da saúde mental. O que anda acontecendo?


A devida cor, embutida na campanha do setembro amarelo, é oriunda da história de um jovem de dezessete anos, norte-americano, onde tirou a sua própria vida, em mil novecentos e noventa e quatro. Mike Emme tinha apreço pela cor amarela. Por isso o motivo do setembro ser amarelo. Em sua homenagem.


É sabido que a cor amarela, em muitas ocasiões, ela tem a finalidade de – atenção, cuidado, alerta, ... Presenciamos isto, no sinal de trânsito, quando o mesmo fica amarelo, para anunciar que, em breve, irá fechar. Em áreas de pedestrianismo, com faixas amarelas, sinalizando que existem degraus. Assim como em tantas outras situações.


Mas, o mês, que deveria ser amarelo; retratando atenção, cuidado, alerta, ...; não o é. Porque onde deveria ser o período, por estar em curso uma campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, é a época do ano, segundo as pesquisas, onde mais se cometem suicídios. A isto, chama-se: Efeito Werther. Essa expressão é oriunda de um romance – Os sofrimentos do jovem Werther – escrito pelo filósofo alemão Goethe; na idade média. A obra retrata o sofrimento do jovem, após uma paixão não correspondida. Levando-o a tirar a sua própria vida. Com a divulgação do caso e do romance, as pessoas passaram, a repetir, e se vendo incentivadas a fazerem o mesmo.


No entanto, o que vem acontecendo, principalmente com a juventude, para o aumento da retirada da vida? É importante entender o seguinte: quando alguém resolve retirar a sua própria vida; não é a ela que esteja querendo subtrair; e sim, as devidas dores emocionais. Entendendo que as causas são diversas. Muito se fala dos desafios perigosos oferecidos no mundo virtual; a vida frenética que a juventude vem tendo, hoje em dia, cada vez mais antecipada com as exigências escolares; assim como tantas outras causas. É fato que os pais vivem numa correria muito grande; mas você é presente na vida do seu filho? Como vem sendo o teor de cobranças sobre eles? Sufocando-os?


Certa vez, participando da reunião de pais, na escola onde meus filhos estudavam; escutei quando a diretora pedagógica disse: “Sempre trabalhei de domingo a domingo. Não trabalho mais, o final de semana todo, porque a idade chegou.” Este discurso ela proferia para pais de pré-adolescentes. Onde ela quis passar a mensagem que os nossos filhos têm que estar sempre estudando. Interessante que, nessa mesma reunião, ela indicou aos pais, a leitura do livro: A geração ansiosa. Eu li na íntegra. Acredito que, o corpo pedagógico, não leu todo o livro. Caso tenha lido, acredito que não entenderam quando o autor estimula a importância do lúdico, na vida da criança ou do jovem.


Para quem não sabe, o comportamento de um workaholic (pessoa doente por trabalho), supostamente demonstrada pela colaboradora pedagógica, tem muito a ver com a necessidade de ser reconhecida. Necessidade de aprovação. Nestes casos, traumas constituídos no pretérito; muitas vezes, na infância. Crianças que não são aceitas ou acolhidas pelos entes biológicos. Geralmente, os traumas, na infância, repercutem na vida adulta. Segundo, Gabor Maté, médico psiquiatra húngaro-canadense, fala: “... como nossa cultura perturba os relacionamentos saudáveis entre adultos e crianças? Por que estamos diagnosticando crianças com um transtorno, em vez de ‘diagnosticar’ – e tratar – sua família, comunidade, escola e sociedade?”


Não obstante, a dinâmica dos serviços pedagógicos, oferecidos, hoje em dia, pelas escolas; ao meu sentir, demonstra mais para alcançar rankings e propagandas para o mercado educacional; do que o aprendizado propriamente dito. Umas das provas disso é que, os livros, não são mais utilizados em salas de aula; e sim, apostilhas. Estas, trazendo conteúdos bem, mas bem resumidos. Em contra partida, os alunos sendo submetidos, cada vez mais, a exigências onde fogem dos seus aparatos cognitivos. Ascendendo a uma exaustão. Dados divulgam que, setenta e nove por cento dos alunos do ensino médio, queixam-se de sintomas de ansiedade e depressão.

      

Por fim, caro leitor, eis a questão! Pais, comunidades, escolas e sociedade num todo será que conseguimos implantar o tema oficial da campanha deste ano – “Escutar é estar presente.” – para melhor acolher a juventude brasileira? Não sei se sabem, mas noventa por cento das pessoas que pensaram em tirar a própria vida, quando acolhidas genuinamente, desistiram. Claro! Escutarmos, também, a todos. Do contrário, caso não consigam, por que não! Buscarmos ajuda com profissionais especializados.


A pandemia do rompimento
 
 
 

Comentários


Av. Flor de Santana, 357

Empresarial Flor de Santana

8º andar, Sala 804

Parnamirim Recife-PE Brasil

Cep: 52060-290

Gustavo Figueirêdo Psicólogo Clínico C.R.P. 02/12.741

Tel: +55 81 98701-3176

  • White Facebook Icon
  • White Instagram Icon
  • White Twitter Icon
  • White LinkedIn Icon

© 2017 por 

EDEN
bottom of page