• Gustavo Figueirêdo, psicólogo clínico

Ansiedade coletiva

Recentemente, numa escola pública no Estado de Pernambuco, um grupo de vinte e seis alunos, foi diagnosticado com os sintomas da ansiedade coletiva. Como o nome bem diz, a ansiedade se torna coletiva, quando um grupo de pessoas vivencia, ao mesmo tempo, a semelhança dos sintomas. E quais são esses sintomas? Taquicardia, sudorese, sensação de desmaio, sensação de morte, dentre outros.


Sabemos que o Brasil é classificado como o país mais ansioso do mundo. Para o psicanalista francês, Charles Melman, no seu livro – O homem sem gravidade – discorre entre a ansiedade normal e a patológica. Ora! A ansiedade é inerente à constituição humana. É normal sermos ansiosos. O que não passa ser normal é quando a ansiedade atrapalha nos afazeres do dia a dia. Quando a mesma passa ser um impedimento das realizações diárias. Este empecilho poderá levar a pessoa desenvolver quadro depressivo. Onde, a depressão, para quem vivencia a ansiedade patológica, classifica-se como comorbidade; ou seja, uma doença secundaria, e não como uma anomalia principal.

Assim aconteceu com esse grupo de jovens, numa determinada escola pública pernambucana, tendo como gatilho, a realização de uma prova. As literaturas que retratam sobre o desenvolvimento humano, explanam que - a criança tem como referência de vida, os pais. Já, os adolescentes, têm como referência de vida, os próprios colegas. Entretanto, após uma colega de turma, que tem predisposições para crises de ansiedade, ter ficado flagelada pelos sintomas da doença, por conta da prova; vinte e cinco alunos restantes vivenciaram, também, os sintomas.


Uma crise de ansiedade dura, em média, de dez a quinze minutos. Para quem vivencia é uma eternidade; por conta do sofrimento. Um conjunto de crises, em média, a partir de três a quatro vezes por semana; caracteriza-se como transtorno de ansiedade. A ansiedade coletiva não é algo comum, mas bem familiarizada pela população mundial. A pandemia da covid-19 que nos diga! Quantas e quantas pessoas, nestes últimos anos, tiveram crises de ansiedade com medo de morrer? Milhares de pessoas!


É comum, para quem desenvolve uma crise de ansiedade, sempre associá-la ao local onde a mesma foi realizada. Mas, o local, na maioria das vezes, não é a causa primordial pela deflagração dos sintomas. Acredito que dos jovens que foram vítimas dos sintomas, certamente, alguns ainda não voltaram para a escola. Associando a crise ao local.


Por fim, caro leitor, eis a questão! Considerando que a ansiedade é inerente à condição humana; você se classifica um ansioso normal, ou patológico? Caso seja patológico, o que te impede de ingressar num, competente, processo psicoterapêutico? Vá à busca da sua pro/cura.

A pandemia do rompimento

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