• Gustavo Figueirêdo, psicólogo clínico

Viver ou não viver?


Essa semana o Brasil vem assistindo à repercussão do caso de uma criança de dez anos que veio ser estuprada pelo o seu tio. Gerando, mediante esta prática de insanidade metal, uma interrupção gestacional. E, consequentemente, repercussões e revoltas a vários segmentos da sociedade.

Diante desta infelicidade existem três atores: o tio, o feto e a criança. Enquanto profissional da saúde mental tentarei ser o mais neutro possível, mas confesso que é difícil. Porque assim como aos seres humanos, aos profissionais da saúde mental, não é diferente: faz parte da nossa constituição humana sentimentos afetivos. Ou seja, nos afetamos, nos sensibilizamos. Haja vista, tentarei discorrer, psicologicamente, sobre esses três personagens. Justamente! Eu falei: tentarei. Porque, como não os conheço, e não sei do caso na íntegra, não passa de uma posição superficial. Assim como pontua a filosofia: a vivência do fenômeno. Eu não vivenciei a história “fenomenal” dos três integrantes.


Uma das definições da palavra viver é: “continuar a existir; perdurar, permanecer.”. Certa vez, em uma determinada aula na graduação, escutava o professor dizer que para condutas psicopatas, não tem cura. Neste sentido, a história de vida deste tio, possivelmente, tenha sido determinada por vários ingredientes que tenha lhe fornecido uma personalidade fragmentada. Fragmentação essa levando a si e diversas outras pessoas o sofrimento, no decorrer da sua vida. Mas, espera aí! Como assim levando, ao mesmo, o sofrimento? Considerando que, segundo as literaturas de psicopatologia, os psicopatas não têm sentimentos ou não sofrem pelas condutas animalescas. Justamente para suprir algo que tenha faltado na constituição saudável da personalidade.


Falando em saudável é onde está o x da questão desta história. Porque tem aí um feto, uma vida. E como feto, ser ausente de autoproteção, indefeso. Levando os segmentos cristãos a terem se manifestado perante o caso. Eis o problema: viver ou não viver? Para os cristãos, o aborto não é concebido. Porque é uma vida que não é perdurada. Já para outros segmentos constituintes, o procedimento abortivo foi legal, perante o caso.

Como aconteceu, ou seja, através de um estupro, possivelmente este feto ficaria com sequelas psicológicas. Eu falei, possivelmente! Não saberia responder se sim ou se não. Acredito que sim. Os traumas psicológicos, surgidos na vida, são vividos de maneiras diferentes em cada seres humanos. Uma “mesma” experiência tem como consequência, situações emocionais, diferentes às pessoas.


E esta criança? No auge da sua infância, onde o lúdico deveria se fazer presente. Sendo abortado pela possibilidade do brincar, “em troca” de uma mente doentia. Em troca vem aspeada porque, provavelmente, não foi uma decisão da criança; tendo-a como vítima. E sim, conduta de um ser doentio. Enquanto adultos, a sanidade mental deve estar presente, mediante uma criança. Mas, infelizmente, os psicopatas ou as personalidades fragmentadas são, também, da ordem existencial. Infelizmente!


Por fim, caro leitor, eis a questão! Se viver é continuar existindo, como devemos lapidar a nossa saúde mental, para que não continuemos levando sofrimento a nós e ao próximo? Principalmente aos indefesos, assim como um feto ou uma criança.

A pandemia do rompimento

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