• Gustavo Figueirêdo, psicólogo clínico

Quão descartáveis somos


No seu sentido figurado, descartável quer dizer: “que se caracteriza por ser passageiro, sem profundidade ou importância.”. Isso! “,,,por ser passageiro, sem profundidade ou importância.”. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, nos últimos anos, houve um aumento de cento e quarenta e um por cento, de procedimentos cirúrgicos, em jovens de treze a dezoito anos de idade. A faixa etária chama atenção. Detalhe! Os motivos: prótese de silicone nos seios, redução de mama, lipoaspiração, rinoplastia (reparo do nariz) e otoplastia (retificação das orelhas).

É fato que a vida é passageira. Mas, o que nos leva buscar atitudes desse tipo, quando não for meramente por questões de saúde? E sim, por estética. Não nos gostamos? Não nos achamos bonitos(as)? Exigências do âmbito social? Por que será? Confesso que, mais uma vez, lembrei-me do filósofo dinamarquês, Søren Aabye Kierkegaard, quando o mesmo define o homem que vive de estética – sendo aquele que está subordinado ao diabo do desejo. Como sabemos, subordinação é quando estamos submissos a alguém ou alguma coisa. Neste caso, pretendemos ficar submisso ao diabo do desejo? Ou, a um desejo diabólico? Por onde anda nossa autonomia?


No passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS), definia saúde como sendo o nosso bem-estar bio-psíquico e social. Hoje em dia é definida como: o nosso bem-estar bio-psíquico-social e espiritual. Isso! E espiritual. A ciência vem reconhecendo a importância da esfera espiritual para vida humana. A via espiritual ou religiosa é o meio aonde nos destinará para uma possibilidade profunda ou importante de ser. Claro! Através da religião da qual creiamos.


Neste sentido, mergulhar pela via espiritual é ir em busca da autonomia. É estarmos diante de possibilidades não mais descartáveis ou superficiais. Caso contrário, nada mais justo do que seguirmos na vida escutando e cantando: “cabelo raspadinho estilo Ronaldinho, cabelo pintado ou Véo; cabelo embaraçado, encaracolado, rastafári rock’n roll.”. Ou seja, seguirmos na vida sem nos permitirmos ir ao encontro do nosso ser, sem nos aprofundarmos ou nos darmos importância. Isto é, continuarmos na modalidade do descartável, sem autonomia. Buscando os estilos dos Ronaldinhos da vida. E por que não, o seu, ou meu estilo? Ah! E só existe a via espiritual, para galgarmos a nossa autonomia, ou não sermos seres descartáveis? Claro que não! A psicoterapia é uma das várias outras possibilidades.


Por fim, caro leitor, eis a questão! Como vem sendo alimentada sua saúde? Através das prerrogativas ofertadas pela OMS: de bem-estar bio-psíquico-social e espiritual? Ou... No demais, quão descartáveis somos?

A pandemia do rompimento

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