• Gustavo Figueirêdo, psicólogo clínico

Para além do diagnóstico


Setembro é o mês onde se realiza a Campanha de Conscientização de Prevenção ao Suicídio – Setembro Amarelo. No entanto, esta campanha não deve ser vivida, apenas, no mês nove do ano; e sim, o ano todo. Por conta da importância da gravidade do contexto: a preservação da vida. Neste sentido, como eu, ou você, podemos colaborar aos que necessitam desta ajuda?


A depressão é o diagnóstico mais usual de quem tenta ou comete o suicídio. Ela pode ser oriunda de questões orgânicas ou genéticas, como de possibilidades existenciais. A pandemia é uma realidade onde, as causas existenciais, descambam para o avanço deste mal. A perda de entes queridos, desemprego, a proibição do contato humano, dentre tantas outras coisas; foram e são motivos para o avanço da depressão. Estimam-se, com a chegada da pandemia, que as tentativas e as realizações de suicídios ultrapassaram, em média, de um milhão no mundo.


Haja vista, não devemos fechar os olhos para a importância do diagnóstico, ofertado pela Classificação Internacional de Doença (CID-10); e para administração necessária do auxílio dos profissionais competentes, no caso, dos psiquiatras. Mas, devemos ir além. Devemos compreender o grau de sofrimento que a pessoa vem sendo acometida. O que esteja por trás do diagnóstico? Como anda a vida de quem é surpreendida por uma depressão, ou um quadro de transtorno de bipolaridade, ou de um dependente químico, assim como tantas outras enfermidades mentais?


Segunda a psicóloga, Julliany Ferreira, explana no livro – Suicídio: a vida não pode parar – “Costuma-se desqualificar o ato daqueles que tentam o suicídio e daqueles que conseguem fazê-lo. Ao desqualificá-los, esses sujeitos também são estigmatizados como indivíduos que não podem estar emocionalmente saudáveis ou são incapazes de obter o controle da sua própria conduta. Há de se pensar que toda e qualquer morte traz à tona algo sobre o meio no qual acontece. A grande questão apresentada a nós é: o que pode estimular uma série de mortes particularmente associadas à intenção do indivíduo de tirar a própria vida? É isso que muitas vezes se tenta apagar ou esconder.”.


Entretanto, para que possamos ir além da importância do diagnóstico, existem um aparato de suporte que venha auxiliar, ou ajudar, na compreensão àqueles que queiram tirar a sua própria vida. Onde, na verdade, o que a pessoa quer é eliminar o sofrimento vivido, e não a vida propriamente dita. Para isso, enquanto apoio, existem: os Centros de Apoio Psicossociais (CAP’S); o Centro de Valorização da Vida (CVV), através do chat, ou pelo número 188; dentre tantas outras possibilidades.


A metodologia de acolhimento aos que necessitam de apoio pelo CVV, coincidentemente, é a mesma que utilizo como escuta psicoterapêutica no consultório. É através do embasamento teórico rogeriano. Carl Rogers nos embasa como suporte, três facilitações básicas de escuta psicoterapêutica: a empatia, a congruência e a consideração positiva incondicional. Estar ou ser empático, neste caso, é se colocar na dor emocional do outro. Estar ou ser congruente é ficar sintonizado na dor emocional do outro. E consideração positiva incondicional é aceitar a dor emocional do outro, positivamente, independente de quaisquer condições. Vale ressaltar que o sofrimento é do outro; nem meu, nem seu.


Por fim, caro leitor, eis a questão! Como devemos fazer, enquanto contribuintes, aos que necessitam de ajuda emocional, para que oferecemos as prerrogativas desfrutadas pelo o Carl Rogers e o CVV? Saiba! Todos nós, para salvarmos vidas, somos dignos, também, de usufruto desta metodologia.

A pandemia do rompimento

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