• Gustavo Figueirêdo, psicólogo clínico

Os workaholics do mundo pós-moderno

Atualizado: 12 de fev.

Acredito que já tenhas ouvido falar nesta expressão: workaholic. São as pessoas viciadas em trabalho. Dão a vida pelo trabalho. Ou vivem para trabalhar. A psicologia entende que, inconscientemente, quem comunga desta prática, muitas vezes, é para suprir algum vazio, ou alguma lacuna emocional. Obviamente, muitos, por necessidade do sustento. Sempre existiram trabalhadores com esse perfil. A diferença, com o avanço do mundo tecnológico ou da vida virtual, vem existindo uma migração no formato do exercício laboral. Para muitos, pelas vias tecnológicas.


Com o convívio, cada vez mais intenso, através do mundo virtual; é percebido que as relações pessoais vêm estando mais discretas. Haja vista, a dificuldade de estarmos em con/tato com o outro, estimulado pelo mundo tecnológico, vem levando às pessoas a desaprenderem a conviver com o próximo. Uma prova disto é, em muitos domicílios, a opção de apenas criarem pets.

No entanto, com o avanço do mundo virtual, passamos a desfrutar mais, no cotidiano, desses espaços. Muitas vezes, as leituras são vias e-books; a alimentação é fornecida pelos aplicativos gastronômicos; as compras vias e-commerce, onde nesta, acredito que seja uma tendência, em breve, dos shoppings acabarem; assim como, não vem sendo diferente com o surgimento dos trabalhos remotos.


Segundo a futurista, palestrante e escritora, Martha Gabriel, pontua que: “Estudos mostram que pessoas que trabalham na internet por muitas horas sem um intervalo reportam que erram frequentemente no trabalho. Depois de se desconectar, elas percebem que se sentem distraídas, fatigadas, irritadas, como se estivessem em uma ‘neblina digital’. Essa nova forma de estresse mental ameaça tornar-se uma epidemia. Sob esse tipo de estresse, nossos cérebros instintivamente produzem cortisol e adrenalina. No curto prazo, esses hormônios aumentam os níveis de energia e memória, mas ao longo do tempo eles prejudicam a cognição, levam à depressão e alteram o circuito neural no hipocampo, na amígdala e no córtex pré-frontal – regiões do cérebro que controlam o humor e o pensamento. Essa tensão cerebral crônica ou prolongada pode até mesmo remodelar a estrutura subjacente do cérebro.”.


É sabido que, para os viciados em trabalho, são-lhes proporcionados prazer e bem-estar. Mas, não sei se estão atentos, que realizar essa prática prazerosa pelas vias virtuais; poderá deixar de ser algo ligado ao bem-estar, para se tornar uma deficiência crônica, tipo: uma depressão.


Por fim, caro leitor, eis a questão! Você se considera um workaholic do mundo pós-moderno? Caso sim, como administrar a prática laboral para não se tornar uma pessoa deprê (expressão popularmente conhecida, oriunda da depressão)?

A pandemia do rompimento

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