• Gustavo Figueirêdo, psicólogo clínico

Como (con)vivemos com a nossa saúde mental?


A ginasta norte-americana Simone Biles, em Tóquio, decidiu não participar da final individual geral dos Jogos Olímpicos. Alegou insegurança no seu lado emocional: “Não confio tanto em mim como antes. Assim que eu piso no tablado, sou só eu e a minha cabeça, lidando com demônios. Tenho que fazer o que é certo para mim e me concentrar na minha saúde mental e não prejudicar minha saúde e meu bem-estar. Há vida além da ginástica”.

Haja vista, lembrei-me quase oito anos atrás, quando fui pai de trigêmeos, onde na ocasião estava sendo submetido a uma seleção pública de emprego. Estando dentro do quadro de vagas e depois de realizar todos os exames médicos exigidos no concurso, quando a médica da equipe do certame me liga, solicitando mais um teste médico que não constava no edital. Pelos os argumentos dela, compreendi a solicitação e concordei. Enxerguei prudência para instituição em “jogo” e para minha saúde física. Mas, depois de ter realizado tantas outras baterias de solicitações exigidas, somado ao nascimento dos meus filhos (onde os mesmos não têm culpa); vi-me esgotado emocionalmente para dar continuidade ao concurso.


Não conheço a história de vida da ginasta; mas, compreendo, através da acuidade perceptiva dela, o porquê de não ter ido à final. “Tenho que fazer o que é certo para mim e me concentrar na minha saúde mental e não prejudicar minha saúde e meu bem-estar. Há vida além da ginástica”. Assim, na situação, foi comigo: privado de sono; marinheiro de primeira viagem, enquanto pai; dentre tantas outras coisas. No meu caso, existem vidas além do concurso (risos). Cada coisa no seu tempo!


Não se trata de fraqueza ou desistência. E sim, sabermos os nossos limites. Assim como toda demarcação geográfica, somos tangenciados por fronteiras. E do outro lado das nossas fronteiras emocionais poderemos nos deparar com o desconhecido ou “a loucura”. Esta é algo existencial; apenas, muitas vezes e por muitos, não sabemos decifrá-la. Por isso, achamos estranhos muitos portadores de sofrimentos psíquicos, quando estão em crises. Quando estamos em países que não dominamos a língua e a cultura, também se torna esquisito.


Devemos, sempre, respeitar os nossos limites emocionais. Parabéns para a ginasta Simone Biles pela atuação perceptiva. Só em ter sido convocada para as Olimpíadas, considero-a vitoriosa. Você deve estar se perguntando: por que ela foi e fizeste o concurso? Porque é só através das vivencias fenomenais (através dos fenômenos vividos), ou existenciais, que podemos saber se conseguimos superar os nossos limites ou não. Para isto, devemos estar atentos. Você está?


Por fim, caro leitor, eis a questão! Como vens (con)vivendo com a tua saúde mental? Respeitando os devidos limites emocionais da tua vida ou...

A pandemia do rompimento

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