• Gustavo Figueirêdo, psicólogo clínico

ALERTA: Saúde ou Sofrimento Mental?


Em setembro é o mês onde celebramos a campanha de conscientização sobre prevenção ao suicídio – Setembro Amarelo. Eita!, perdoem-me. Celebrar, não! De fato, não é nada para ser celebrado; e sim, apenas, para ser conscientizado. Enfim, celebrar é uma palavra oriunda do latim (celēbro) que quer dizer: “acolher com festejos ou com exaltação; comemorar.”. No entanto, é algo que não temos nada para festejar ou comemorar. Infelizmente!!! Tão somente, conscientizar.


Segundo as pesquisas, em média, trinta e duas pessoas cometem suicídio, por dia, no Brasil. Número alarmante, não é? Compreende porquê não se trata de celebração? E sim de tristeza, comoção, aflição,... O que está acontecendo para nos depararmos com um índice tão alarmante? Dados revelam que de cada dez suicídios, nove poderiam ser evitados, caso a pessoa fosse acolhida por uma simples: escuta.


Escuta!? O que é isto? Lamentavelmente, recurso que está em extinção. Hoje em dia não paramos mais para escutar ninguém. Claro! Não conseguimos olhar mais: olho no olho. Todo o olhar agora está voltado para uma comunicação virtual ou artificial, através das redes sociais.


Quando deixamos em desuso aquilo que fazíamos, tipo a escuta, passamos a ficar entrevados. É como um atleta que passa meses sem realizar o seu esporte. Quando retorna aos treinos, volta com dificuldade. Assim a desarmonia, na atualidade, de acolhermos o outro. Simplesmente pelo o fato da escuta estar off-line.


A escuta, quando bem realizada ou executada, torna-se terapêutica. Haja vista, o que o psicólogo realiza no seu exercício profissional, chama-se: escuta psicoterapêutica. O escutar pode ser realizado por qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo. Basta apenas o indivíduo está disponível para. Não necessariamente tenha que ser, apenas, através de profissionais. Sabemos que o profissional é preparado para isto. Mas, também temos que estar ciente que o profissional não está vinte e quatro horas ao lado de quem precise ser escutado. Este, estando a maior parte do tempo ao lado de entes queridos e amigos. Assim como, colegas de trabalho.


E aí é onde mora o problema: não só por conta das redes sociais, mas por conta da correria do dia a dia, que os entes queridos, amigos e colegas de profissão, não se habilitam a escutar os seus. Deixando um hiato, no anonimato sentimental, no mundo interno de quem sofre.


Por fim, caro leitor, eis a questão! O que devemos fazer para que esse alerta deixe de ser um sofrimento e passe a ser uma saúde mental para as pessoas que necessitem ser escutadas? Será que cabe uma reflexão?

ALERTA: Saúde ou Sofrimento Mental?



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